vida é feita de contratempos e obstáculos, por vezes ficamos sem força para continuar em frente e baixamos a cabeça. Queremos desaparecer e ir para um lugar onde ninguém nos conheça, onde possamos começar uma nova vida.
A minha vida estava num mau momento, então resolvi fazer uma longa viagem, pois acreditava que era capaz de fazer com que esquecesse os maus momentos passados e me desse forças para seguir em frente.
Então decidi fazer uma longa viagem de comboio, embora tivesse que abandonar por uns tempos a minha família que sempre me apoiou.
Com coragem e determinação comprei o bilhete de comboio, e embarquei no comboio. Estava tensa e nervosa, pois ia ser o recomeço de uma nova vida.
Dentro do comboio eram raros ou nenhuns os lugares de vago. Fiquei de pé durante cerca de 5 minutos. Mas depois observei uma rapariga que se encontrava um pouco mais à minha frente e que tudo nela me chamou a atenção. Tinha cerca de 19 anos, tinha pele morena era alta, andavam com uns óculos escuros.
Como vi que ela não estava acompanhada decidi pedir licença para me senta ao seu lado:
- Posso? – Perguntei eu.
- Sim, claro. – Afirmou Leonor com tanta delicadeza.
A viagem era longa, o tempo passava sem que eu desse conta. Entre mim e a Leonor tinha florescido uma conversa agradável. A certa altura Leonor começou a falar da sua vida.
- Não sei mais que fazer! Sinto-me só, angustiada e diferente. É tão difícil deixar de ver tudo repentinamente, eu que era uma rapariga cheia de vida, com quem os professores passavam horas a mandar calar. Dizia cada coisa mais banal! E agora perdi tudo, não quero viver. – Decretou ela.
- Não podes pensar assim! Tens que ir buscar força a algum lado para que possa continuar o teu caminho. Ao menos ao contrário de mim ainda tens alguém que esteja do teu lado e que seja capaz de te ouvir nas piores alturas?
- Piores alturas? Não imaginas mesmo o que é ser cega. Não poderes ver as pessoas que mais amas. Não és capaz de continuar a fortalecer uma relação com ninguém. Todos me abandonaram é o que eu sinto. Fiquei privada de tudo e de todos.
Com esta conversa consegui perceber que os meus problemas à beira dos delas eram insignificantes, e o que realmente faz uma pessoa viver são as pessoas, aquelas que estão do nosso lado.
Reflectia acerca de tudo que se tinha passado na minha vida enquanto observava o rio que corria. Foi ai que surgiu uma boa definição para a vida “ A vida é como um rio, passar a correr, mais rápido do que pensamos. Ninguém é capaz de a parar nem de mudar o passado, temos é que aproveitar todos os pequenos momentos e fazer deles um grande momento.”
Quando a viagem terminou agradecemos pelo desabafo e felicitamo-nos mutuamente.