Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007

Seis contos de Eça de Queirós

A aia
  Era uma vez um rei que foi batalhar por terras distantes, deixando só e triste a sua mulher e o seu filho ainda bebé. Até que um dia um cavaleiro veio anunciar a batalha perdida e a morte do rei. A rainha chorava…
  Junto do berço do principezinho que era feito a de marfim, havia outro berço de um escravozinho que era feito de verga. A mãe do escravozinho dava de mamar ao príncipe.
  O pior inimigo do príncipe era o seu tio, pois queria ficar com o trono.
  Até que uma noite, a escrava ouviu um ruído no jardim e percebeu que era o tio do príncipe que vinha para o matar. Então a escrava trocou o príncipe de berço.
   O tio do príncipe entrou no quarto e julgando que era o seu sobrinho que estava no berço de marfim pegou nele. Nos pátios havia luta… a rainha entrou no quarto e começou a chorar mas depois percebeu que a escrava tinha trocado o príncipe de berço.
O capitão dos guardas acabou por anunciar a morte do tio da criança e da própria, mas a rainha ergueu o príncipe nas suas mãos, chorando e rindo.
   A rainha para recompensa disse à aia para escolher as riquezas que quisesse. Ela escolheu um punhal gritando a seguinte frase:
    -“Salvei o meu príncipe. Agora vou dar de mamar ao meu filho”. E espetou o punhal no peito.

                                                                                                                             

                        O tesouro
   Era uma vez 3 irmão Rostabal, Guanes e Rui, o seu palácio já estava velho e eles nas noites frias iam dormir a uma estrebaria.
   Numa manhã foram juntos à mata à procura de comida, acabando por encontrar um cofre com 3 chaves cheio de moedas, ficando cada um com uma. Como não podiam subir a serra com aquilo, combinaram que Guanes iria à aldeia comprar 3 sacas para transportar o achado, 3 kg de cevada para as éguas, 3 empadões de carne e 3 garrafas de vinho.
   Rui lembrou-se que Guanes não queria ir nessa manhã à mata, e se assim fosse o tesouro seria dividido pelos dois. Então resolveram mata-lo. E assim fizeram. Ao fim Rui acabou por espetar a espada no coração do outro irmão. Rostabal. Agora as 3 chaves eram dele.  Acabou por beber o cálice, e sentiu lume dentro de si. Ainda foi até ao lago mas nada apagar aquele fogo e lembrou-se, que era veneno que seu irmão deitara para ficar com as três chaves. Os três irmãos morreram e o tesouro ficou na mata.

 

                                                                                                                            O defunto
   Um moço foi viver para Segóvia que se chamava Rui, morava ao lado da igreja de Nossa Senhora do Pilar ficando à sua frente o palácio de D. Afonso de Lara, que era um marido muito ciumento porque sua esposa D. Leonor era muito bela. Rui, ia todos os dias rezar à igreja, enquanto que D. Leonor ia só ao domingo. Ele apaixonou-se por ela.
   Uma aia descobriu e foi contar ao marido de D. Leonor, ficando a odiar o moço. Acabaram por ir para uma herdade que ficava em Cabril, mesmo assim mandava um criado saber notícias do seu rival.
    Um dia foi a D. Leonor e pediu-lhe para escrever numa folha de pergaminho, pois ele ameaçara-a com um cinto de punhal. A carta era dirigida a D. Rui e dizia que o seu marido estava ausente e pedia-lhe para ele se deslocar à herdade, a carta foi-lhe entregue por um moço do campo. Rui ia a caminho pelo Cerro dos Enforcados até que ouviu uma voz (era um enforcado) que lhe pedira para cortar a corda. Ele assim fez, e foi com o D. Rui até Cabril. Quando lá chegaram, havia umas escadas que estavam encostada à varanda, então o enforcado empurrou o D. Rui pedindo-lhe o chapéu e a capa dizendo que ia espreitar para o quarto, transformando-se no próprio D. Rui. de repente uma lamina de adaga cravou no enforcado, e caiu no chão. O enforcado disse que aquele encontro não era de amor mas sim de morte. O enforcado, dizia a cavalo e o D. Rui galopou. E perguntou onde queria ficar este respondeu ao pé da forca e D. Rui assim fez, e acabou por o prender a trave.
   D. Rui perguntou o que queria mais o enforcado respondeu que queria que ele conta-se tudo a Nossa Senhora do Pilar.
   De manhã quando chegou a Segóvia foi à igreja enquanto D. Afonso de Lara estava à procura do seu corpo, mas não encontrava nada… Sendo assim pôs-se a caminho de Segóvia, onde perguntou as notícias da Terra, pois novidades não havia.
   Foi então que dei de caras na igreja com D. Rui. Então o padre contou um caso que um enforcado tinha uma adaga espetada no peito algum o tirara e levara a um jardim, voltando a enforcá-lo. Então este foi  até ao Cerro dos enforcados, foi então que descobrira que era a sua adaga…
   Então regressou para Cabril. Um dia apareceu morto. Então D. Leonor foi para Segóvia, foi então que se casou com D. Rui.

 

                                                                                                                                           Frei Genebro
   Há muito tempo havia um frade que se chamava Genebro e estava a tentar ser santo.
   Passava fome e rezava, ajudava as pessoas e até foi preso para proteger os escravos.   
   Até que um dia fez uma viajem a pé e descalço. Acabou por avistar os restos de um castelo, foi então que se lembrou de um companheiro de convento, seguiu caminho para sua casa. Quando lá chegou chamou, uma voz respondeu-lhe que estava muito doente e não se podia levantar. Então Genebro entrou. O seu companheiro pedira-lhe  carne de porco, o frade lembrou-se que tinha visto porcos e foi a caminho e cortou uma perna a um, chegando a casa cozinhou-o. Deixou água à beira do colega e partiu.
   Passados alguns anos ficou conhecido pela sua fama. Nos últimos dias desfez-se do que tinha e lembrou-se das palavras de S. Francisco e morreu.
   Dizem que foi levado por um anjo para uma balança com um prato brilhante e outro negro. No brilhante caíram as coisas de bem que ele fez e no negro um porquinho sem perna. Foi então que surgiu a mão de Deus que pegou na sua alma e deixou-a cair na escuridão do Purgatório.  

 

                                                     Civilização
  Tenho um amigo que nasceu num palácio, que se chama Jacinto. Foi sempre feliz e era civilizado. Na sua biblioteca possuía todas as obras essenciais da inteligência e da estupidez. Os sofás tinham pranchas móveis. No seu gabinete de trabalho à volta do seu cadeirão havia tubos que serviam para mandar mensagens para as outras divisões da casa. Ele para escrever utilizava uma pena eléctrica e um lápis mecânico, tinha sempre prontos dicionários, enciclopédias….
  Havia mais civilização nos aparelhos modernos. A sala de jantar era agradável, cada talher tinha 6 garfos todos para diferentes pratos. Havia muita variedade de copos, águas… As comidas eram requintadas, as travessas subiam para a mesa em dois elevadores. Ele só lia obras de filósofos.
  Mas ele andava sempre triste desiludido, porquê que seria?
  Na primavera Jacinto fora ao seu Solar, mandou comboios para pôr mobílias e muitas mais coisas que faltava na casa como pôr vidros nas janelas… Depois partiram, mas quando lá chegaram as suas encomendas ainda não tinham chegado.
  Tiveram de cear caldo, arroz de favas e frango louro. Jacinto gabara a comida. E dormiram em dois colchões no chão.
  Na manhã seguinte fui a casa da minha tia, passadas três semanas regressara e Jacinto ainda estava lá. Ele já não andava triste, até me convidara para comer trutas que ele pescara. E dizia que o essencial era a sabedoria e bastava um tecto para dormir e um bocado de terra e grão para semear. Mas para sermos felizes tínhamos de regressar ao paraíso.
  Passara quatro anos e Jacinto ainda ali morara, pois encontrara a paz e a simplicidade.

     

                                                                       O suave milagre
  Antes de Jesus sair da Galileia, já os seus milagres chegavam a outras terras.
  Um viajante disse que rabi (um profeta famoso) andava a anunciar a chegada do reino de deus, contara que curou um leproso e ressuscitou um jovem.
  Todos perguntaram se ele era o Messias. Havia um guardador de rebanhos chamado Obel a quem o vento abrasador matara o seu gado. Então ele pensara que rabi acabara com a morte do seu gado e ordenou a criados que o procurassem.
  E passou-se algum tempo e as suas ovelhas continuavam a morrer.
  Nesse tempo, Públio Sétimo um chefe militar romano tinha uma filha que sofria de um mal lento e estranho. Então ouvindo falar de rabi mandou um batalhão de soldados procura-lo. Até que um dia um velho de religião grega disse que não haverá profetas nem milagres. Era grande o desespero de Públio Sétimo porque enquanto a sua filha morria a fama de Jesus crescia.
  Uma mulher viúva vivia com seu filho aleijado num casebre, não tinha roupa para mudar nem grão na arca. Um dia um mendigo falou de rabi, sendo assim o menino pediu à mãe que lhe trouxesse rabi, mas a mãe dizia que Obel e Sétimo eram ricos e que não o encontraram.
  O menino insistia e chorava. A criancinha disse que queria ver Jesus. E, logo se abriu a porta, Jesus disse à criança :
  -Estou aqui.

 

Escrito por Diana em 21:23:06 | Link permanente | Comments (0) |
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