O moinho
Era o Sr. José mais conhecido pelo seu gume no negócio.
Sua esposa D. Matilde ficava colérica quando o “Zé” (como ela o tratava) chegava a casa da labuta, todo sujo. Passara o dia todo na bigorna a talhar o ferro para fazer o moinho do Sr. Evaristo, mas mesmo assim sentia muito entono pelo seu marido. Enquanto ele não chegava a casa ela salmodiava e às vezes persignava para que tudo corresse bem, era supersticiosa. Durante a montagem do moinho o Sr. José passava o tempo todo a fazer admoestações ao Sr. Paulino (o seu empregado), que balbuciava e convulsava, até que o crepúsculo chegou, tornando-se sinistro continuar o trabalho. Depois de terminado o moinho o Sr. José foi colocá-lo na beirada do rio muito perto de um renque de olmos. Como não podia sozinho pediu ajuda ao Paulino, que era um homem intimativo e coerente. Até que de repente começou a transvazar água do dique aos solavancos, onde vagava um animal morto. O Sr. Paulino incrédulo começou a gritar enquanto o Paulino o negaças.

