A pérola de Macau
Não se encontra loja mais barata que a Pérola de Macau. Tem de tudo: coisas úteis e inúteis, habituais e exóticas, toscas e delicadas. Por isso, na véspera de Natal, formam-se bichas apressadas mas hesitantes nos seus dois corredores, entre as estantes atafulhadas.
Até ao início das férias era um casal de chineses recém-chegados que atendia os fregueses. Sabiam uma dúzia de frases em português que misturavam com gestos e sorrisos.
- Que quele ? Pode vele.
Faziam as contas nas costas de um papel impresso com gatafunhos orientais e apresentavam-nas aos clientes, silenciosos.
Mas em meados de Dezembro meteram o sobrinho, que anda na escola, como ajudante. Na verdade é ele quem orienta a loja. Magrinho, com olhos em bico, parece movido a electricidade. Recebe as pessoas à porta, condu-las até à prateleira das molduras, das velas, das porcelanas, faz sugestões, indica preços.
O miúdo de seu nome Qin Shi tal como o primeiro imperador chinês tinha o sonho de fazer grandes feitos.
Então como estava a chegar ao natal Qin Shi deu uma ideia ao tio, de oferecer uma viagem à Muralha da China para duas pessoas, ao freguês que durante esse mês mais compras fizesse pois achava que assim as vendas iriam subir em flecha.
E fazendo bem as contas só teriam de pagar a viagem, para três pessoas, pois os pais de Qin Shi tinham um hotel em Shangai e disponibilizaram-se para pagar a estadia, porque também queriam ver o seu filhote que iria como interprete.
Os tios acharam a ideia brilhante, então fizeram uns cartazes e espalharam por toda a cidade.
A partir desse dia na loja eram bichas sem fim, o miúdo pediu a dois colegas para o ajudar, em troca prometeu que lhes dava um mp3 e eles todos contentes aceitam.
As pessoas até compravam coisas inúteis, como um velhinho careca a comprar um pente para meter na carteira, um jovem a comprar uma bengala para quando fosse velho...
Mas no dia 23 de Dezembro um senhor de capa preta chega ao pé da caixa e pede para falar com o gerente, ao que o tio se apresou a chamar Qin Shi, o miúdo chegou à beira do senhor e apresentou-se:
- Sim, que deseja?
- Queria que me embrulha-se duas mil bonecas em papel cor de rosa e mil e quinhentas bolas em papel azul.
- Eih poças tem tantos amigos!
- Não, eu quero é distribuir pelas crianças da cidade.
- Você em principio vai ganhar a viagem à China...
- Nada disso, nada disso.
-Esta bem não se zangue.
- Eu só quero dar um pouco do que é meu às crianças, mais nada.
- Mas se o senhor comprar esses brinquedos todos vai ganhar a viagem à China.
- Mas eu não quero ir à China, não quero ir a países onde não haja liberdade de pensamento. Mas então você tem os brinquedos ou não?
- Sim claro.
Qin Shi depois falou com os tios e contou-lhes o sucedido. Então resolveram dar a viagem à segunda pessoa que mais compras fizesse.
A viagem à China foi ganha por um casal de idosos, que ficam radiantes, pela primeira vez na vida iam andar de avião.
No dia marcado lá estavam no aeroporto todos contentes.
A viagem foi longa e cansativa (pois são quase dez mil km) mas correu bem, à chegada, lá estavam os pais de Quin Shi, com os olhos em bico e lavados em lágrimas, depois dos cumprimentos foram para o hotel descansar que o dia tinha sido longo e cansativo.
Mas Quin Shi não conseguia dormir a pensar no que o senhor de capa preta lhe tinha dito e que ele só agora tinha noção ser uma realidade.
Finalmente adormeceu, e teve um sonho que em breve o seu país vai ser livre, só o tempo dirá se o sonho se tornará realidade.
Até ao início das férias era um casal de chineses recém-chegados que atendia os fregueses. Sabiam uma dúzia de frases em português que misturavam com gestos e sorrisos.
- Que quele ? Pode vele.
Faziam as contas nas costas de um papel impresso com gatafunhos orientais e apresentavam-nas aos clientes, silenciosos.
Mas em meados de Dezembro meteram o sobrinho, que anda na escola, como ajudante. Na verdade é ele quem orienta a loja. Magrinho, com olhos em bico, parece movido a electricidade. Recebe as pessoas à porta, condu-las até à prateleira das molduras, das velas, das porcelanas, faz sugestões, indica preços.
O miúdo de seu nome Qin Shi tal como o primeiro imperador chinês tinha o sonho de fazer grandes feitos.
Então como estava a chegar ao natal Qin Shi deu uma ideia ao tio, de oferecer uma viagem à Muralha da China para duas pessoas, ao freguês que durante esse mês mais compras fizesse pois achava que assim as vendas iriam subir em flecha.
E fazendo bem as contas só teriam de pagar a viagem, para três pessoas, pois os pais de Qin Shi tinham um hotel em Shangai e disponibilizaram-se para pagar a estadia, porque também queriam ver o seu filhote que iria como interprete.
Os tios acharam a ideia brilhante, então fizeram uns cartazes e espalharam por toda a cidade.
A partir desse dia na loja eram bichas sem fim, o miúdo pediu a dois colegas para o ajudar, em troca prometeu que lhes dava um mp3 e eles todos contentes aceitam.
As pessoas até compravam coisas inúteis, como um velhinho careca a comprar um pente para meter na carteira, um jovem a comprar uma bengala para quando fosse velho...
Mas no dia 23 de Dezembro um senhor de capa preta chega ao pé da caixa e pede para falar com o gerente, ao que o tio se apresou a chamar Qin Shi, o miúdo chegou à beira do senhor e apresentou-se:
- Sim, que deseja?
- Queria que me embrulha-se duas mil bonecas em papel cor de rosa e mil e quinhentas bolas em papel azul.
- Eih poças tem tantos amigos!
- Não, eu quero é distribuir pelas crianças da cidade.
- Você em principio vai ganhar a viagem à China...
- Nada disso, nada disso.
-Esta bem não se zangue.
- Eu só quero dar um pouco do que é meu às crianças, mais nada.
- Mas se o senhor comprar esses brinquedos todos vai ganhar a viagem à China.
- Mas eu não quero ir à China, não quero ir a países onde não haja liberdade de pensamento. Mas então você tem os brinquedos ou não?
- Sim claro.
Qin Shi depois falou com os tios e contou-lhes o sucedido. Então resolveram dar a viagem à segunda pessoa que mais compras fizesse.
A viagem à China foi ganha por um casal de idosos, que ficam radiantes, pela primeira vez na vida iam andar de avião.
No dia marcado lá estavam no aeroporto todos contentes.
A viagem foi longa e cansativa (pois são quase dez mil km) mas correu bem, à chegada, lá estavam os pais de Quin Shi, com os olhos em bico e lavados em lágrimas, depois dos cumprimentos foram para o hotel descansar que o dia tinha sido longo e cansativo.
Mas Quin Shi não conseguia dormir a pensar no que o senhor de capa preta lhe tinha dito e que ele só agora tinha noção ser uma realidade.
Finalmente adormeceu, e teve um sonho que em breve o seu país vai ser livre, só o tempo dirá se o sonho se tornará realidade.

