Segunda-feira, Outubro 22, 2007

A pérola de Macau

Não se encontra loja mais barata que a Pérola de Macau. Tem de tudo: coisas úteis e inúteis, habituais e exóticas, toscas e delicadas. Por isso, na véspera de Natal, formam-se bichas apressadas mas hesitantes nos seus dois corredores, entre as estantes atafulhadas.
Até ao início das férias era um casal de chineses recém-chegados que atendia os fregueses. Sabiam uma dúzia de frases em português que misturavam com gestos e sorrisos.
-
Que quele ? Pode vele.
Faziam as contas nas costas de um papel impresso com gatafunhos orientais e apresentavam-nas aos clientes, silenciosos.

Mas em meados de Dezembro meteram o sobrinho, que anda na escola, como ajudante. Na verdade é ele quem orienta a loja. Magrinho, com olhos em bico, parece movido a electricidade. Recebe as pessoas à porta, condu-las até à prateleira das molduras, das velas, das porcelanas, faz sugestões, indica preços.


O miúdo de seu nome Qin Shi tal como o primeiro imperador chinês tinha o sonho de fazer grandes feitos.
Então como estava a chegar ao natal Qin Shi deu uma ideia ao tio, de oferecer uma viagem à Muralha da China para duas pessoas, ao freguês que durante esse mês mais compras fizesse pois achava que assim as vendas iriam subir em flecha.
E fazendo bem as contas só teriam de pagar a viagem, para três pessoas, pois os pais de Qin Shi tinham um hotel em Shangai e disponibilizaram-se para pagar a estadia, porque também queriam ver o seu filhote que iria como interprete.
Os tios acharam a ideia brilhante, então fizeram uns cartazes e espalharam por toda a cidade.
A partir desse dia na loja eram bichas sem fim, o miúdo pediu a dois colegas para o ajudar, em troca prometeu que lhes dava um mp3 e eles todos contentes aceitam.
As pessoas até compravam coisas inúteis, como um velhinho careca a comprar um pente para meter na carteira, um jovem a comprar uma bengala para quando fosse velho...
Mas no dia 23 de Dezembro um senhor de capa preta chega ao pé da caixa e pede para falar com o gerente, ao que o tio se apresou a chamar Qin Shi, o miúdo chegou à beira do senhor e apresentou-se:
- Sim, que deseja?
- Queria que me embrulha-se duas mil bonecas em papel cor de rosa e mil e quinhentas bolas em papel azul.
- Eih poças tem tantos amigos!
- Não, eu quero é distribuir pelas crianças da cidade.
- Você em principio vai ganhar a viagem à China...
- Nada disso, nada disso.
-Esta bem não se zangue.
- Eu só quero dar um pouco do que é meu às crianças, mais nada.
- Mas se o senhor comprar esses brinquedos todos vai ganhar a viagem à China.
- Mas eu não quero ir à China, não quero ir a países onde não haja liberdade de pensamento. Mas então você tem os brinquedos ou não?
- Sim claro.
Qin Shi depois falou com os tios e contou-lhes o sucedido. Então resolveram dar a viagem à segunda pessoa que mais compras fizesse.
A viagem à China foi ganha por um casal de idosos, que ficam radiantes, pela primeira vez na vida iam andar de avião.
No dia marcado lá estavam no aeroporto todos contentes.
A viagem foi longa e cansativa (pois são quase dez mil km) mas correu bem, à chegada, lá estavam os pais de Quin Shi, com os olhos em bico e lavados em lágrimas, depois dos cumprimentos foram para o hotel descansar que o dia tinha sido longo e cansativo.  
 Mas Quin Shi não conseguia dormir a pensar no que o senhor de capa preta lhe tinha dito e que ele só agora tinha noção ser uma realidade.
Finalmente adormeceu, e teve um sonho que em breve o seu país vai ser livre, só o tempo dirá se o sonho se tornará realidade.

Escrito por Diana em 22:33:39 | Link permanente | Comments (0) |

Terça-feira, Outubro 09, 2007

Os olhos de Anita

Anita vende a doçura em frascos. Enche-os de compota de fruta, tapa-os e cola-lhes uma etiqueta, mas, em vez de escrever compota disto ou compota daquilo, de mirtilos ou de pêssego, de marmelo ou de morango, arredonda a letra e escreve apenas Doçura.
Senta-se no passeio com os frascos defronte, expostos no asfalto, junto aos pés, e não lhe faltam clientes. 
 A compota vende-se muito bem e ninguém regressa para reclamar: quem compra julga que a doçura está toda nos olhos de Anita.

   Nos olhos cintilantes de Anita, o brilho era evidente todas as vezes que ao chegar a casa encontrava o olhar tristonho da mãe. O olhar quase morto, escuro e distante. Nos lábios de Anita, o sorriso e inevitável quando a mãe fazia uma gracinha ou demonstrava, um gesto de carinho ao que Anita lhe respondia com um beijo.
   Apesar de o negócio correr bem, nada fazia a mãe de Anita deixar de ficar com o seu olhar tristonho na cara, porque a vida não lhe estava a correr nada bem, tinha ficado desempregada porque tinha um cancro.
   Como as coisas estavam um bocado complicadas tiveram de arranjar uma maneira de ganhar dinheiro, pois o pouco que tinha não daria para as sustentar; foi então a mãe de Anita teve a ideia de fazer compotas, para vender.
   Quando Anita saia de casa, sua mãe era como se ficasse com “o coração nas mãos”, nunca estava descansada, tinha medo de perder o seu “tesouro” mais precioso a sua filha. Ela tinha mesmo muito medo, só ficava sossegada quando via Anita entrar em casa.
   Os meses iam passando, Dona Justina mãe de Anita tinha acabado os tratamentos, e começou a fazer os exames para ver se tinha vencido a sua “cruz”. 
   Chegou finalmente o dia em que iria saber o resultado do exame, Anita preparou uma compota especial para oferecer ao Doutor Júlio na qual escreveu “Doçura de Esperança” em cor verde.
  
Depois de algum tempo na sala de espera, lá chegou o tão esperado momento ouviu-se uma voz – Dona Justina.
  
Anita deu a mão à mãe, entrando as duas com as pernas trémulas, mal se segurando em pé. 
 
  - Sentem-se e tenham calma, está tudo bem. Você conseguiu vencer a doença. Muitos parabéns.
  
Depois de lhes explicar os cuidados que tinham que ter, daí para a frente o doutor lembrou-lhes que todos os anos Dona Justina tinha que fazer um exame de rotina.
  
Anita com os seus olhos cintilantes retirou do saco o frasco com a compota e agradeceu ao doutor Júlio o que tinha feito pela sua mãe.
  
Regressaram a casa e começaram a fazer projectos para o futuro, Anita iria continuar a fazer a compota com o nome “Doçura de Esperança”, enquanto sua mãe preparou uma nova receita dando-lhe o nome “Doçura da vida”.
  
Continuaram por muitos anos a serem felizes e a distribuir doçura a quem comprava as suas compotas.
Escrito por Diana em 18:15:08 | Link permanente | Comments (3) |

O mistério dos graffiti

Título: O mistério dos graffiti
Colecção: O bando dos Quatro
Autor: João Aguiar
   Os membros do Bando dos Quatro resolveram ir a Oeiras com o Tio João. 
   O Carlos ouviu uma conversa “estranha” entre dois Homens sobre Vila Rica, quando passeavam pela praia. 
   Tinha caído uma parede com graffiti em Vila Rica, na escola onde os membros do Bando dos Quatro andavam... Passados alguns dias tornaram a cair outras paredes na escola com graffiti... 
   Foi então que o Bando dos Quatro resolveram investigar o que se passava, foi então que o tio João resolveu recolher um pedaço de uma parede que tinha caído, acabando por chegar à conclusão que as latas de tinta de graffiti continham um “material” que fazia as paredes caírem. 
   Dois colegas do Álvaro o Trincas e o Pinto foram raptados, eles faziam graffiti. 
   O Bando dos Quatro seguiram um dos homens que estava na praia em Oeiras a ter um conversa esquisita, pois achavam que ele estava envolvido no rapto do Pinto e do Trincas. Ele foi até uma casa que ficava no monte e onde havia mais homens. 
   Mas parece que nem tudo correu bem eles acabaram por ver o Bando dos Quatro e acabou por prendê-los, e sim, eles tinham razão eles tinham raptado o amigo do Álvaro. Mas a Catarina antes de ter sido apanhada tinha ligado ao Tio João e dizer onde estava, acabando ele por chamar a polícia. 
   Depois dirigiu-se à tal casa no monte, mas foi apanhado. Mas...acabou por chegar a polícia e prendeu os Homens que tinham raptado o Bando dos Quatro, o Tio João e os dois amigos do Álvaro.
Escrito por Diana em 17:50:09 | Link permanente | Comments (0) |