A caminhada
Ao entardecer os campos enchiam-se de neblina, o Pico ficava baço e monumental nas águas. Dos lados da estrada da Caldeira sentiu-se uma tropelada, depois pó e um cavaleiro no encalço de uma senhora a galope.
- Slowly! Let go him alone…
Os cavalos meteram a trote e puseram-se a par. O de Roberto Clark vinha suado, com um pouco de espuma na barriga e sinal de sangue num ilhal. O de Margarida, enxuto, meteu a passo.
- Ah não posso mais... proferiu Margarida já esgotada.
Sem dizer mais nada Roberto pronunciou:
- Now it is until the house.
E se pôs a galope a toda a velocidade pela floresta adentro. Era uma floresta densa com árvores de grande porte, algumas já centenárias, que pareciam tocar o céu; atravessada pelo rio Cálvis. Com paisagens avassaladoramente belas.
Roberto era um senhor de meia-idade com o seu charme tipicamente britânico.
Assim que chegou a casa, com um ar vitorioso, verificou que Margarida não se encontrava atrás de si.
Como o sol há muito se escondera por detrás das árvores que rodeavam a casa, Roberto começou a ficar preocupado com a sua fiel amiga. Então reuniu os criados e foi no seu encalço, em direcção à floresta, levando consigo uma matilha de Galgos.
No meio daquela densa floresta gritava:
- Margarida, where are you?
A sua voz fazia eco por entre as árvores, mas não obtinha resposta.
Um pouco mais à frente deparou com Piroga, a égua de puro-sangue Inglês de Margarida, animal dócil que nunca abandonaria a dona.
Piroga ao ver gente dirigiu-se por meio de uns arbustos em direcção ao rio. Roberto seguia com os seus homens a égua. Foi então que depararam com Margarida presa no meio do rio num tronco, com o corpo franzino já meio desnudo e bastante ferida, já quase sem forças sequer para falar.
Roberto ordenou aos seus homens que fizessem um cordão até ela, sendo ele o primeiro.
Quando chegou ao pé dela pegou-a ao colo com os seus longos e fortes braços e trouxe-a para terra.
Já em casa chamam o Dr. Mário amigo da família de longa data que depois de fazer o diagnostico comentou:
- Foi por pouco! Mais algum tempo na água e a perder tanto sangue poucas hipóteses tinha de ter sobrevivido.
Roberto sentia-se culpado do sucedido e fez tudo que estava ao seu alcance para que Margarida não ficasse com mazelas do sucedido.
Escrito por
Diana em
09:51:46 |
Link permanente | |