Sexta-feira, Março 28, 2008

Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros


Que a minha boca tem pra te dizer!


São talhados em mármore de Paros


Cinzelados por mim pra te oferecer.


 


Têm dolência de veludos caros,


São como sedas pálidas a arder...


Deixa dizer-te os lindos versos raros


Que foram feitos pra te endoidecer!


 


Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...


Que a boca da mulher é sempre linda


Se dentro guarda um verso que não diz!


 


Amo-te tanto!  E nunca te beijei...


E nesse beijo, Amor, que eu te não dei


Guardo os versos mais lindos que te fiz!


 


Fonte: "Sonetos" - Florbela Espanca
Escrito por Diana em 10:05:58 | Link permanente | Comments (1) |

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso,
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos,
que em oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

 

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho alacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que foça através de tudo
num perpétuo movimento.

 

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão de átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

 

 

 

António Gedeão, Poesias completas
Escrito por Diana em 04:18:08 | Link permanente | Comments (0) |

Terça-feira, Março 25, 2008

A caminhada

Ao entardecer os campos enchiam-se de neblina, o Pico ficava baço e monumental nas águas. Dos lados da estrada da Caldeira sentiu-se uma tropelada, depois pó e um cavaleiro no encalço de uma senhora a galope.
- Slowly! Let go him alone…
Os cavalos meteram a trote e puseram-se a par. O de Roberto Clark vinha suado, com um pouco de espuma na barriga e sinal de sangue num ilhal. O de Margarida, enxuto, meteu a passo.

- Ah não posso mais... proferiu Margarida já esgotada.
Sem dizer mais nada Roberto pronunciou:
- Now it is until the house.
E se pôs a galope a toda a velocidade pela floresta adentro. Era uma floresta densa com árvores de grande porte, algumas já centenárias, que pareciam tocar o céu; atravessada pelo rio Cálvis. Com paisagens avassaladoramente belas.
Roberto era um senhor de meia-idade com o seu charme tipicamente britânico.
Assim que chegou a casa, com um ar vitorioso, verificou que Margarida não se encontrava atrás de si.
Como o sol há muito se escondera por detrás das árvores que rodeavam a casa, Roberto começou a ficar preocupado com a sua fiel amiga. Então reuniu os criados e foi no seu encalço, em direcção à floresta, levando consigo uma matilha de Galgos.
No meio daquela densa floresta gritava:
- Margarida, where are you?
A sua voz fazia eco por entre as árvores, mas não obtinha resposta.
Um pouco mais à frente deparou com Piroga, a égua de puro-sangue Inglês de Margarida, animal dócil que nunca abandonaria a dona.
Piroga ao ver gente dirigiu-se por meio de uns arbustos em direcção ao rio. Roberto seguia com os seus homens a égua. Foi então que depararam com Margarida presa no meio do rio num tronco, com o corpo franzino já meio desnudo e bastante ferida, já quase sem forças sequer para falar.
Roberto ordenou aos seus homens que fizessem um cordão até ela, sendo ele o primeiro.
Quando chegou ao pé dela pegou-a ao colo com os seus longos e fortes braços e trouxe-a para terra.
Já em casa chamam o Dr. Mário amigo da família de longa data que depois de fazer o diagnostico comentou:
- Foi por pouco! Mais algum tempo na água e a perder tanto sangue poucas hipóteses tinha de ter sobrevivido.
Roberto sentia-se culpado do sucedido e fez tudo que estava ao seu alcance para que Margarida não ficasse com mazelas do sucedido.
Escrito por Diana em 09:51:46 | Link permanente | Comments (0) |

Segunda-feira, Março 24, 2008

Verdes são os campos

Verdes são os campos,

De cor de limão:

Assim são os olhos

Do meu coração.





Campo, que te estendes

Com verdura bela;

Ovelhas, que nela

Vosso pasto tendes,

De ervas vos mantendes

Que traz o Verão,

E eu das lembranças

Do meu coração.





Gados que pasceis

Com contentamento,

Vosso mantimento

Não no entendereis;

Isso que comeis

Não são ervas, não:

São graças dos olhos

Do meu coração.





              Luís de Camões





Escrito por Diana em 00:47:21 | Link permanente | Comments (1) |

Sábado, Março 22, 2008

A guerra dos Meninos

A Guerra Dos Meninos
Roberto Carlos
Composição: Roberto Carlos - Erasmo Carlos

Hoje eu tive um sonho que foi o mais bonito
Que eu sonhei em toda a minha vida
Sonhei que todo mundo vivia preocupado
Tentando encontrar uma saída
Quando em minha porta alguém tocou
Sem que ela se abrisse ele entrou
E era algo tão divino, luz em forma de menino
Que uma canção me ensinou
La…la..la… (coro)

Tinha na inocência a sabedoria
Da simplicidade e me dizia
Que tudo é mais forte quando todos cantam
A mesma canção e que eu devia
Ensinar a todos por ali
E quantos mais houvessem para ouvir
E a fé em cada coração, na força daquela canção
Seria ouvida lá no céu por Deus
La…la…la.. (coro)

E saí cantando meu pequeno hino
Quando vi que alguém também cantava
Vi minha esperança na voz de um menino
Que sorrindo me acompanhava
Outros que brincavam mais além
Deixavam de brincar pra vir também
E cada vez crescia mais aquele batalhão de paz
Onde já marchavam mais de cem
La…la…la… (coro)

De todos os lugares vinham aos milhares
E em pouco tempo eram milhões
Invadindo ruas, campos e cidades
Espalhando amor aos corações
Em resposta o céu se iluminou
Uma luz imensa apareceu
Tocaram fortes os sinos, os sons eram divinos
A paz tão esperada aconteceu
Inimigos se abraçaram e juntos festejaram
O bem maior, a paz, o amor e Deus
La…la…la… (coro)

Comentário: Tão antiga, mas ao mesmo tempo tão actual.
Escrito por Diana em 09:22:29 | Link permanente | Comments (0) |

Quarta-feira, Março 19, 2008

Dá tempo ao tempo

        
Colecção: Clube das Chaves
Título: Dá tempo ao tempo
Autoras: Maria Teresa Maia Gonzalez e Maria do Rosário Pedreira
Editora: VERBO
 
Data:
06-03-08
07-03-08
09-03-08
10-03-08
15-03-08
17-03-08
Página:
07-40
41-85
86-110
111-154
155-176
177-196
 
O Clube das Chaves ao lerem o segundo enigma imaginaram que tinham de encontrar uma jóia antiga.
A Tia Laura que estava a viver em Macau resolveu vir agora viver para Portugal com a sua indispensável empregada Li Ching.
Para ver se conseguiam decifrar o enigma o Clube das Chaves resolveu ir a um museu para ver se encontravam alguma jóia. Todos os elementos do Clube das Caves (a Guida, a Anica, o Frederico e o Pedro) tinham uma chave do armário onde estavam guardados todos os enigmas e apontamentos.
O Vasco, o irmão da Guida, quando viu que a sua irmã tinha a chave ficou furioso. Pois ele gostava de ter sido convidado pelo primo Pedro para pertencer ao Clube. No dia seguinte de manhã decidiu ir fotocopiar a chave à rua, enquanto a irmã dormia.   
Como no enigma falava de uma ave os Clube foi até ao Jardim Zoológico para ver se encontrava a tal ave. Mas não tiveram sucessso.
No dia seguinte houve uma festa na escola, onde todos os elementos do clube foram; a Guida ficou em segundo lugar no corta mato, o Pedro e o Frederico ganharam as Olimpíadas de Geografia e História.
Como os participantes do corta mato não chegavam o Pedro e o Frederico para passarem o tempo foram para a biblioteca, onde descobriram que o objecto do enigma era um relógio antigo e valioso.
O Fantasma da Ordem voltou a “atacar”, mandou uma carta que os ajudou muito, pois ficaram a saber que o que eles andavam à procura encontrava-se na casa da Tia Laura, à frente do relógio do cucu.
Então resolveram ia à casa da Tia Laura, onde encontraram um armário cheio de gavetas, uma estava fechada à chave. Com a chave do enigma abriram a gaveta onde estava um relógio ou bolso, muito antigo, de cerca de quatro gerações atrás, e por isso muito valioso.
Como o relógio não trabalhava o Pedro e a Anica levaram-no a uma relojoaria, ficou como novo.
O pai deles fazia anos naquela semana, então resolveram oferecer-lhe o relógio como prenda.
Óscar adorou a prenda dos filhos.
Chegou ao fim mais uma aventura do Clube das Chaves, graças à colaboração de todos.
Escrito por Diana em 03:25:39 | Link permanente | Comments (1) |

Sexta-feira, Março 07, 2008

Amiga

Deixa-me ser a tua amiga, Amor,
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor,
A mais triste de todas as mulheres.

Que só, de ti, me venha mágoa e dor
O que me importa, a mim?!  O que quiseres
É sempre um sonho bom!  Seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres!

Beija-me as mãos, Amor, devagarinho...
Como se os dois nascessemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...

Beija-mas bem!...  Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei prà minha boca!...

Escrito por Diana em 23:20:36 | Link permanente | Comments (1) |