Segunda-feira, Setembro 29, 2008

Na idade dos porquês



Professor diz-me porquê?
Por que voa o papagaio
que solto no ar
que vejo voar
tão alto no vento
que o meu pensamento
não pode alcançar?
Professor diz-me porquê?
Por que roda o meu pião?
Ele não tem nenhuma roda
E roda gira rodopia
e cai morto no chão…
Tenho nove anos professor
e há tanto mistério à minha roda
que eu queria desvendar!
Por que é que o céu é azul?
Por que é que marulha o mar?
Porquê?
Tanto porquê que eu queria saber!
E tu que não me queres responder!
Tu falas falas professor
daquilo que te interessa
e que a mim não interessa.
Tu obrigas-me a ouvir
quando eu quero falar.
Obrigas-me a dizer
quando eu quero escutar.
Se eu vou a descobrir
Fazes-me decorar.
É a luta professor
a luta em vez de amor.
Eu sou uma criança.
Tu és mais alto
mais forte
mais poderoso.
E a minha lança
quebra-se de encontro à tua muralha.
Mas
enquanto a tua voz zangada ralha
tu sabes professor
eu fecho-me por dentro
faço uma cara resignada
e finjo
finjo que não penso em nada.
Mas penso.
Penso em como era engraçada
aquela rã
que esta manhã ouvi coaxar.
Que graça que tinha
aquela andorinha
que ontem à tarde vi passar!…
E quando tu depois vens definir
o que são conjunções
e preposições…
quando me fazes repetir
que os corações
têm duas aurículas e dois ventrículos
e tantas
tanta mais definições…
o meu coração
o meu coração que não sei como é feito
nem quero saber
cresce
cresce dentro do peito
a querer saltar cá para fora
professor
a ver se tu assim compreenderias
e me farias
mais belos os dias.

Alice Gomes

Escrito por Diana em 08:45:27 | Link permanente | Comments (2) |

Não quero não

Não quero, não quero, não,

ser soldado nem capitão.

Quero um cavalo só meu,

seja baio ou alazão, sentir o vento na cara,

sentir a rédea na mão.

Não quero, não quero,não

ser soldado nem capitão.

Não quero muito do mundo:

quero saber-lhe a razão,

sentir-me dono de mim,

ao resto dizer que não.

Não quero, não quero, não,

ser soldado nem capitão.

 

 

 

 

(Eugénio de Andrade)

Escrito por Diana em 08:41:50 | Link permanente | Comments (0) |

Terça-feira, Setembro 16, 2008

O velho e o mar

O livro relata a história de um pescador de já alguma idade – Santiago, que depois de passar oitenta e quatro dias sem pescar resolve enfrentar o alto-mar sozinho, no seu pequeno barco, para provar aos provar aos outros e a si mesmo que ainda é um bom pescador. No seu primeiro dia em alto mar, o velho consegue fisgar um peixe de um tamanho e uma força enorme. Ele tenta com que o peixe se renda, contudo Santiago sofre com o sol que quase o cega e com as mãos feridas de tanto lutar com o peixe. Atraídos pelo sangue da conquista de Santiago, depois de uma longa luta, os tubarões atacam à vez acabando por transformar o peixe em esqueleto. A viagem de regresso é mais demorada com todos estes contratempos. Mas, quando Santiago chega à praia de onde partiu com o esqueleto do grande peixe que pescou os pescadores e os seus amigos medem-no por verem que é o maior peixe que alguém pescou. Consegui provar a todos que ainda é um bom pescador.

 

Escrito por Diana em 08:25:04 | Link permanente | Comments (0) |