Terça-feira, Outubro 09, 2007

Os olhos de Anita

Anita vende a doçura em frascos. Enche-os de compota de fruta, tapa-os e cola-lhes uma etiqueta, mas, em vez de escrever compota disto ou compota daquilo, de mirtilos ou de pêssego, de marmelo ou de morango, arredonda a letra e escreve apenas Doçura.
Senta-se no passeio com os frascos defronte, expostos no asfalto, junto aos pés, e não lhe faltam clientes. 
 A compota vende-se muito bem e ninguém regressa para reclamar: quem compra julga que a doçura está toda nos olhos de Anita.

   Nos olhos cintilantes de Anita, o brilho era evidente todas as vezes que ao chegar a casa encontrava o olhar tristonho da mãe. O olhar quase morto, escuro e distante. Nos lábios de Anita, o sorriso e inevitável quando a mãe fazia uma gracinha ou demonstrava, um gesto de carinho ao que Anita lhe respondia com um beijo.
   Apesar de o negócio correr bem, nada fazia a mãe de Anita deixar de ficar com o seu olhar tristonho na cara, porque a vida não lhe estava a correr nada bem, tinha ficado desempregada porque tinha um cancro.
   Como as coisas estavam um bocado complicadas tiveram de arranjar uma maneira de ganhar dinheiro, pois o pouco que tinha não daria para as sustentar; foi então a mãe de Anita teve a ideia de fazer compotas, para vender.
   Quando Anita saia de casa, sua mãe era como se ficasse com “o coração nas mãos”, nunca estava descansada, tinha medo de perder o seu “tesouro” mais precioso a sua filha. Ela tinha mesmo muito medo, só ficava sossegada quando via Anita entrar em casa.
   Os meses iam passando, Dona Justina mãe de Anita tinha acabado os tratamentos, e começou a fazer os exames para ver se tinha vencido a sua “cruz”. 
   Chegou finalmente o dia em que iria saber o resultado do exame, Anita preparou uma compota especial para oferecer ao Doutor Júlio na qual escreveu “Doçura de Esperança” em cor verde.
  
Depois de algum tempo na sala de espera, lá chegou o tão esperado momento ouviu-se uma voz – Dona Justina.
  
Anita deu a mão à mãe, entrando as duas com as pernas trémulas, mal se segurando em pé. 
 
  - Sentem-se e tenham calma, está tudo bem. Você conseguiu vencer a doença. Muitos parabéns.
  
Depois de lhes explicar os cuidados que tinham que ter, daí para a frente o doutor lembrou-lhes que todos os anos Dona Justina tinha que fazer um exame de rotina.
  
Anita com os seus olhos cintilantes retirou do saco o frasco com a compota e agradeceu ao doutor Júlio o que tinha feito pela sua mãe.
  
Regressaram a casa e começaram a fazer projectos para o futuro, Anita iria continuar a fazer a compota com o nome “Doçura de Esperança”, enquanto sua mãe preparou uma nova receita dando-lhe o nome “Doçura da vida”.
  
Continuaram por muitos anos a serem felizes e a distribuir doçura a quem comprava as suas compotas.
Escrito por Diana em 18:15:08 | Link permanente | Comments (3) |
Comentário
1 - Com este fundo não consigo ler... (Comentar)

Escrito por: Anónimo em 2007/10/15 - 00:22:35
2 - Um bom texto, Diana, que precisa apenas de pequenas correcções. (Comentar)

Escrito por: Prof. Paulo Faria em 2007/10/21 - 01:12:06
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3 - gostei muito deste texto!!! muito giro... lol fika bem
beijinhos (Comentar)

Escrito por: Rita em 2007/10/23 - 20:37:28
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