O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá
Autor: Jorge Amado
Título: “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”
Esta história fala-nos de uma história de amor.
O Gato Malhado abriu os olhos pardos, feios e maus quando a Primavera chegou vestida de luz, cores e de alegria, olorosa de perfume subtis desabrochando as flores e vestindo as árvores de roupagens verdes.
Na opinião geral dos habitantes do parque não só os olhos do Gato Malhado reflectiam maldade, mas também o seu corpanzil forte e ágil, de riscas amarelas e negras.
Era um gato de meia-idade. Quando era jovem amava correr por entre as árvores, vagabundear nos telhados, miando canções de amor à lua cheia. Não tinha relações de amizade com os vizinhos, era a criatura mais egoísta e solitária.
Do Gato Malhado ninguém se aproximava.
Só no parque a coruja dizia que o gato não era assim tão mau.
Quando a Primavera rompeu, o Gato Malhado sorriu (para o espanto de todos, alguns diziam que ele devia estar a preparar alguma) e rebolou-se na grama como se fosse um jovem gato adolescente, soltou um miado que mais parecia um gemido. Levantou-se, estirou os braços e as pernas, eriçou o dorso para melhor captar o calor do sol subitamente doce, abriu as narinas para aspirar os novos odores que rolavam no ar, deixou que todo o rosto feio e mau se abrisse num sorriso cordial para as coisas e os seres em torno. Começou a andar procurando a Primavera, mas não via ninguém.
O Gato Malhado compreendeu que todos fugiam dele, foi uma triste constatação. Deixou de sorrir, encolhendo os ombros, num gesto de indiferença. Todos não...
A Andorinha Sinhá fitava-o e sorria.
O Gato Malhado sentou-se no chão e perguntou à Andorinha se não fugia dele, ela disse-lhe que não tinha medo dele, pois podia voar. A Andorinha Sinhá disse ao Gato Malhado que era mais tolo do que feio. Ela como sentiu que tinha ofendido o Gato voou para um ganho mais alto. Ele achava-se lindo e elegante. A história não continuou porque chegaram os pais da Andorinha que a levaram consigo passando-lhe um raspanete.
E assim começou a história de amor do Gato Malhado e da Andorinha Sinhá.
Os seus pais proibiram-na de aproximar-se do inimigo feroz.
A Andorinha Sinhá era terna e obediente, bem comportada, amável e bondosa. Mas ela não gostava que fossem injustos com o Gato, pois ninguém lhe tinha provado que era um pecado ou crime manter relações cordiais com o Gato Malhado. Naquela noite pensaram um no outro...
O Gato via a Andorinha em todos os lados, numa flor, na água, em cada folha...
Será que o Gato Malhado se apaixonou?
Chegou o Outono, uma estação muito alegre. O Gato Malhado andava triste pois a Andorinha Sinhá saia com o rouxinol. Ela não conseguia perceber porque é que estava a deixar o Gato Malhado triste.
Com a chegada do Outono que derrubava as folhas das árvores, o vento sentia frio, e, para esquentar, corria zumbido pelo parque. Os animais do parque deixaram de ter medo do Gato Malhado, pois ele tinha-se mostrado um gato brando e amável nas duas estações anteriores, pois devia estar a ficar velho.
A Andorinha Sinhá como tinha que partir deu os sonetos que tinha elaborado. A partir daí o Gato voltou a ser mau, egoísta e solitário. No início de Outono o Gato Malhado recebeu uma carta da Andorinha Sinhá que dizia que eles não se podiam casar, pois não iam ser felizes, e além disso um gato não se pode casar com uma andorinha. Toda a gente achava que o gato era solitário, mas não, não é verdade ele guardava as melhores recordações dos doces momentos vividos no seu coração, mas ficava triste por saber que não podia só viver de lembranças, mas também necessitava de sonhos do futuro.
No dia do casamento da Andorinha Sinhá com o Rouxinol, foram todos os animais do parque à festa excepto o Gato Malhado. Os seus sonhos de futuro tornaram-se impossíveis pois a Andorinha Sinhá casara com o rouxinol.
Título: “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”
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Data: |
20-11-07 |
22-11-07 |
23-11-07 |
24-11-07 |
25-11-07 |
| Página: |
15-36 |
37-56 |
57-76 |
79-94 |
97-110 |
O Gato Malhado abriu os olhos pardos, feios e maus quando a Primavera chegou vestida de luz, cores e de alegria, olorosa de perfume subtis desabrochando as flores e vestindo as árvores de roupagens verdes.
Na opinião geral dos habitantes do parque não só os olhos do Gato Malhado reflectiam maldade, mas também o seu corpanzil forte e ágil, de riscas amarelas e negras.
Era um gato de meia-idade. Quando era jovem amava correr por entre as árvores, vagabundear nos telhados, miando canções de amor à lua cheia. Não tinha relações de amizade com os vizinhos, era a criatura mais egoísta e solitária.
Do Gato Malhado ninguém se aproximava.
Só no parque a coruja dizia que o gato não era assim tão mau.
Quando a Primavera rompeu, o Gato Malhado sorriu (para o espanto de todos, alguns diziam que ele devia estar a preparar alguma) e rebolou-se na grama como se fosse um jovem gato adolescente, soltou um miado que mais parecia um gemido. Levantou-se, estirou os braços e as pernas, eriçou o dorso para melhor captar o calor do sol subitamente doce, abriu as narinas para aspirar os novos odores que rolavam no ar, deixou que todo o rosto feio e mau se abrisse num sorriso cordial para as coisas e os seres em torno. Começou a andar procurando a Primavera, mas não via ninguém.
O Gato Malhado compreendeu que todos fugiam dele, foi uma triste constatação. Deixou de sorrir, encolhendo os ombros, num gesto de indiferença. Todos não...
A Andorinha Sinhá fitava-o e sorria.
O Gato Malhado sentou-se no chão e perguntou à Andorinha se não fugia dele, ela disse-lhe que não tinha medo dele, pois podia voar. A Andorinha Sinhá disse ao Gato Malhado que era mais tolo do que feio. Ela como sentiu que tinha ofendido o Gato voou para um ganho mais alto. Ele achava-se lindo e elegante. A história não continuou porque chegaram os pais da Andorinha que a levaram consigo passando-lhe um raspanete.
E assim começou a história de amor do Gato Malhado e da Andorinha Sinhá.
Os seus pais proibiram-na de aproximar-se do inimigo feroz.
A Andorinha Sinhá era terna e obediente, bem comportada, amável e bondosa. Mas ela não gostava que fossem injustos com o Gato, pois ninguém lhe tinha provado que era um pecado ou crime manter relações cordiais com o Gato Malhado. Naquela noite pensaram um no outro...
O Gato via a Andorinha em todos os lados, numa flor, na água, em cada folha...
Será que o Gato Malhado se apaixonou?
Chegou o Outono, uma estação muito alegre. O Gato Malhado andava triste pois a Andorinha Sinhá saia com o rouxinol. Ela não conseguia perceber porque é que estava a deixar o Gato Malhado triste.
Com a chegada do Outono que derrubava as folhas das árvores, o vento sentia frio, e, para esquentar, corria zumbido pelo parque. Os animais do parque deixaram de ter medo do Gato Malhado, pois ele tinha-se mostrado um gato brando e amável nas duas estações anteriores, pois devia estar a ficar velho.
A Andorinha Sinhá como tinha que partir deu os sonetos que tinha elaborado. A partir daí o Gato voltou a ser mau, egoísta e solitário. No início de Outono o Gato Malhado recebeu uma carta da Andorinha Sinhá que dizia que eles não se podiam casar, pois não iam ser felizes, e além disso um gato não se pode casar com uma andorinha. Toda a gente achava que o gato era solitário, mas não, não é verdade ele guardava as melhores recordações dos doces momentos vividos no seu coração, mas ficava triste por saber que não podia só viver de lembranças, mas também necessitava de sonhos do futuro.
No dia do casamento da Andorinha Sinhá com o Rouxinol, foram todos os animais do parque à festa excepto o Gato Malhado. Os seus sonhos de futuro tornaram-se impossíveis pois a Andorinha Sinhá casara com o rouxinol.

